LOCALIZAÇÃO
A cidade de Juazeiro do Norte está localizada no extremo sul do Estado do Ceará, no chamado Vale do Cariri, distante cerca de 563 km de Fortaleza, pela BR 116. É a maior cidade do interior cearense.
O Município de Juazeiro do Norte é um dos menores do Estado do Ceará. Sua área é de 235 km2.
LIMITES
Ao norte, com Caririaçu; ao sul, com Barbalha; a leste, com Missão Velha e a oeste, com Crato.
ALTITUDE
Juazeiro do Norte está a 377 m em relação ao nível do mar. O ponto mais elevado é a Serra do Horto, onde foi erigido o Monumento do Padre Cícero, com 33 m de altura (25 m de estátua e 8 m de pedestal), o terceiro do mundo em altura. A gigantesca estátua foi obra do escultor pernambucano Armando Lacerda e foi inaugurada em lº de novembro de 1969, pelo então Prefeito Mauro Sampaio.
CLIMA
Equatorial, com temperaturas entre 22-34 graus, média de 28º. De junho a agosto faz um pouco de frio. A época chuvosa geralmente vai de janeiro a abril. O município é banhado pelo Rio Salgadinho, que nasce em Crato.
POPULAÇÃO
Cerca de 250 mil habitantes, sendo que a maior parte se concentra na zona urbana. A população de Juazeiro do Norte é bastante heterogênea. Há praticamente pessoas de todos os Estados nordestinos, muitos dos quais romeiros, que para aqui vieram atraídos pela fama do Padre Cícero. A população nativa representa hoje menos da metade do total. Uma característica marcante é o fato de muita gente aqui ter o nome de Cícero ou Cícera, em homenagem ao Padre Cícero, considerado o fundador da cidade.
ORIGEM
O lançamento da pedra fundamental de uma capela em honra de Nossa Senhora das Dores, em 15 de setembro de 1827, no local denominado Fazenda Taboleiro Grande (município de Crato), de propriedade do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, marca o início da história do lugar que é hoje a cidade de Juazeiro do Norte.
Conta-se que três frondosos juazeiros existentes em frente à capela, à margem da antiga estrada Missão Velha-Crato, passaram a ser pousada obrigatória de viajantes e tropeiros. que viviam em andanças pelos sertões. Com o tempo, começaram a surgir as primeiras moradias e pontos de negócios, tendo início o povoamento. A fundação da cidade, porém, se deve ao Padre Cícero.
ETIMOLOGIA
O topônimo Juazeiro deve-se a uma conhecida árvore, muito comum no Nordeste, que resiste à seca mais inclemente, permanecendo sempre viçosa, chamada cientificamente Ziziphus juazeiro. A palavra é híbrida, tupi-portuguesa: juá ou iu-á(fruto de espinho) + o sufixo eiro.
CHEGADA DO PADRE CÍCERO
Quando Padre Cícero chegou ao povoado de Juazeiro, em 11 de abril de 1872, para fixar residência, o local era um pequeno aglomerado humano com uma capelinha erigida pelo primeiro capelão, o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, uma escola, cerca de 35 casas (a maioria de taipa) e duas pequenas ruas (Rua Grande e Rua do Brejo). Cinco famílias importantes habitavam o local: Macedo, Gonçalves, Sobreira, Landim e Bezerra de Menezes. O restante da população era formado por escravos e arruaceiros afeitos à bebedeira e à prostituição.
Antes de fixar residência definitiva no povoado de Juazeiro, Padre Cícero o visitou pela primeira vez no Natal de 1871, a convite do Prof. Semeão Correia de Macedo, para celebrar a tradicional Missa do Galo.
Segundo Padre Azarias, Padre Cícero chegou a revelar a amigos íntimos a verdadeira decisão de morar em Juazeiro. Foi um sonho (ou visão) segundo o qual, certa vez, ao anoitecer de um dia cansativo, após haver passado horas inteiras confessando as pessoas do então arraial, ele se deitou para descansar, e a visão que selaria seu destino se revelou. Conforme seu relato, ele viu, nitidamente, Jesus Cristo e os doze Apóstolos, sentados à mesa, numa cena idêntica à Ceia Larga (de Leonardo da Vinci). De repente, uma multidão de pessoas famintas, tipo flagelados das secas nordestinas, invade o local. Então, Jesus, virando-se para os famintos, falou de sua decepção com a humanidade, embora estivesse ainda disposto a fazer um último sacrifício para salvá-la. Mas se os homens não se arrependessem, Ele acabaria com tudo de uma vez. Naquele momento, Jesus apontou para os pobres sertanejos, lançou um olhar ao Padre Cícero e disse, categoricamente: E tu, Padre Cícero, toma conta deles!
A partir daí Padre Cícero planejou sua vinda para o povoado de Juazeiro. Chegou no dia 11 de abril de 1872. Uma vez instalado em sua nova residência, Padre Cícero deu início a sua ação evangelizadora e moralizadora. Modificou o costume da população acabando pessoalmente com a bebedeira e a prostituição. Com ele o povoado experimenta os primeiros passos rumo ao desenvolvimento.
O MILAGRE
Um fato extraordinário, acontecido pela primeira vez no dia 1º de março de 1889, transformou a rotina do lugarejo e a vida do Padre Cícero para sempre. Naquela data, ao participar de uma comunhão reparadora, oficiada pelo Padre Cícero, uma beata muito piedosa, chamada Maria Magdalena do Espírito Santo de Araújo, ao receber a hóstia consagrada não pôde degluti-la porque a mesma se transformou em sangue.
O fato repetiu-se dezenas de vezes e o povo crédulo achou que se tratava de um novo derramamento do sangue de Jesus, sendo, portanto, um milagre, mais tarde aceito também pelo Padre Cícero e outros sacerdotes da redondeza.
As toalhas com as quais limparam a boca da beata, ficaram tintas de sangue e rapidamente passaram a ser objeto da curiosidade do povo.
Assim, o povoado, antes insignificante, passou a ser alvo de grande visitação popular, pois todos queriam ver os panos manchados de sangue. Começaram, então, as romarias que não param de crescer.
Apesar de ter sido testemunhado por muitas pessoas dignas, mais de uma dezena de padres da região e ter sido atestado por dois médicos e um farmacêutico como sendo um fato sobrenatural, a Igreja nunca considerou o sangramento da hóstia como milagre.
O fato terminou numa polêmica Questão Religiosa, ainda hoje não resolvida. Dentro da Igreja, ou mais precisamente no seio do clero, o chamado milagre de Juazeiro foi tratado como fato natural, superstições vãs, evoluiu para embuste até que, em 1989, cem anos depois, a parapsicologia estuda o assunto e o considera como uma espécie de aporte, que e o aparecimento e sumiço de coisas, misteriosamente. Hoje, o clero ainda continua dividido, mas são poucos os que acreditam em embuste.
Por conta das decisões de Roma, Padre Cícero, injustamente acusado de desobediência e de estimular a crença no pretenso milagre, foi punido pela Igreja com a suspensão de suas ordens. Mais tarde os chamados milagres de Juazeiro passaram a ser estudados por diversos cientistas sociais no Brasil e no Exterior, sendo até motivo de teses acadêmicas. E Juazeiro do Norte, por ser uma cidade mística, tem sido objeto de vários documentários de tevê, o que a faz muito conhecida e famosa.
EMANCIPAÇÃO POLÍTICA
Em 1907 o povoado de Juazeiro já havia alcançado um considerável nível de desenvolvimento, mas continuava pertencente ao município de Crato. Isto começou a incomodar os juazeirenses, surgindo daí o desejo de independência. Um movimento emancipalista iniciado por eminentes cidadãos locais, entre os quais José André de Figueiredo, Joaquim Bezerra de Menezes, Francisco Nery da Costa Morato, Cincinato Silva, Manoel Vitorino da Silva e João Bezerra de Menezes recebeu mais tarde a adesão do Padre Cícero, do médico baiano Floro Bartolomeu da Costa, do Padre Joaquim de Alencar Peixoto e do Prof. José Teles Marrocos, culminando com a vitória em 22 de julho de 1911, quando foi assinada a lei nº 1028, que elevou o povoado à categoria de Vila e sede do Município. Um forte aliado do movimento de independência de Juazeiro foi o jornal O Rebate, o pioneiro da imprensa juazeirense, fundado pelo Padre Joaquim Marques de Alencar Peixoto, em 18 de julho de 1909. No dia 4 de outubro de 1911, a Vila de Juazeiro foi inaugurada oficialmente, e o Padre Cícero foi empossado como seu primeiro Prefeito, ou Intendente, como se chamava naquela época. No dia 23 de julho de 1914, através da Lei nº 1178, a Vila de Juazeiro foi elevada à categoria de cidade. Esta data, porém, não é comemorada. Prevalece a data de criação do município. Em 9 de setembro de 1943, numa reunião realizada na Biblioteca Municipal foi adotada a denominação de Juazeiro do Norte. Os outros nomes sugeridos foram: Juripeba, Cariris, Padre Cícero, Nordestina e Cicerópolis. Fora da cidade existem três aglomerados humanos importantes: Marrocos, Padre Cícero (antiga Palmeirinha) e Vila Três Marias.
COMÉRCIO E INDÚSTRIA
Juazeiro do Norte é a maior cidade do interior do Ceará. Foi a primeira cidade do interior cearense a ter um shopping. possui agências dos bancos mais importantes do País e também concessionárias de todas as montadoras de veículos nacionais. O parque industrial é representado por indústrias de sandálias de plástico e couro, bebidas, refrigerantes, alumínio, alimentos, confecções, móveis, jóias e laticínio, entre outras. O setor industrial continua à espera de novas indústrias, mas o forte de Juazeiro do Norte são as pequenas empresas, as chamadas empresas de fundo de quintal, e de pequenos comerciantes que formam a conhecida economia informal. Aqui tudo se vende.
EDUCAÇÃO E CULTURA
Na área educacional funcionam muitas escolas de primeiro e segundo graus e alguns cursos universitários, inclusive na área tecnológica. Juazeiro é também um grande celeiro de cultura, com centenas de livros publicados sobre os mais variados assuntos; diversos grupos de danças, música e teatro, de onde têm saído nomes famosos. Nas artes plásticas conta com nomes consagrados internacionalmente. Foi aqui que surgiu a primeira Escola Normal Rural do Brasil, fundada em 1934, hoje transformada em Centro Educacional Professor Moreira de Sousa. A Escola Normal foi um modelo educacional na época.
SAÚDE
No setor de saúde dispõe de vários hospitais e clínicas médicas, dotadas de modernos equipamentos, e médicos atuando nas mais diversas especialidades. Da fundação do primeiro hospital aos dias de hoje, houve realmente uma grande evolução.
COMUNICAÇÃO E TRANSPORTE
No ramo da radiodifusão existem estações de radio AM e FM. O sistema telefônico acompanha a modernidade, estando inclusive na era da telefonia móvel (celular). O setor de transporte interliga Juazeiro do Norte com o Brasil e o mundo, através de ônibus e avião. Possui uma estação rodoviária moderna e um aeroporto regional de onde partem vôos diárias.
IMPRENSA
Não é sem razão que esta cidade é chamada de cemitério de jornais. Com efeito, em pouco menos de um século já editou mais de uma centena de periódicos. Muitos jornais tiveram vida efêmera e sequer passaram do primeiro número. Outros, porém, como O Rebate, Tribuna do Juazeiro, Folha de Juazeiro, Tribuna do Povo e Folha da Manhã conseguiram uma longa duração, e alguns ainda continuam, como é o caso de Folha da Manhã, de circulação diária, que ultrapassou a barreira da milésima edição, um fato inédito na história da imprensa juazeirense.
O jornal pioneiro da imprensa juazeirense foi O Rebate, fundado em 18 de julho de 1909, pelo Padre Joaquim Marques de Alencar Peixoto, com ajuda do Padre Cícero. Foi o porta-voz dos anseios de independência do então povoado de Juazeiro.
TURISMO
Juazeiro do Norte é uma cidade com muitos atrativos turísticos, sendo, por isso, visitada por romeiros e turistas do Brasil e do Exterior, numa média anual de um milhão de visitantes. A rede hoteleira conta com hotéis de até cinco estrelas, afora dezenas de ranchos para hospedagem de romeiros. Eis algumas atrações turísticas: Monumento do Padre Cícero, na Serra do Horto, Santo Sepulcro, Memorial Padre Cícero, Museu Padre Cícero, Matriz de Nossa Senhora das Dores, Casa dos Milagres, Capela do Socorro, San-tuário de São Francisco, Igreja do Sagrado Coração de Jesus e Praça Padre Cícero.
LAZER E COMPRAS
Para atividades de lazer e compras, a cidade dispõe de Parque Ecológico, Açude Manoel Balbino (Carneiros), Parque de Vaquejada, Parque São Geraldo Estádio Mauro Sampaio (Romeirão), Ginásio Poliesportivo, Centro de Cultura Popular Mestre Noza, Associação dos Artistas e Amigos da Arte - AMAR, Casa dos Artesãos de Nossa Senhora das Dores e do Padre Cícero, Cariri Shopping e o Mercado Central, além de uma vasta rede de bares, restaurantes, pizzarias, churrascarias, self service, cinemas, teatro e clubes sociais.
DATAS COMEMORATIVAS
2 de fevereiro: Festa de Nossa Senhora das Candeias (romaria)
24 de março: Aniversário de Padre Cícero;
22 de julho: Aniversário do Município;
15 de setembro: Festa da Padroeira Nossa Senhora das Dores (romaria);
1º de novembro: Dia do Romeiro;
2 de novembro: Romaria do Padre Cícero.
A cidade de Juazeiro do Norte é conhecida nacionalmente como "A Terra do Padre Cícero". É uma cidade santuário. Um dos maiores centros de romarias e religiosidade popular do Brasil. É nela que está sepultado o famoso e polêmico Padre Cícero Romão Batista, fundador e maior benfeitor da cidade e uma espécie de santo popular, canonizado pelo povo à revelia da Igreja Romana.
"Juazeiro é um mundo!"
FOTOS
Telefones Úteis

Mapa de Juazeiro

HINO DE JUAZEIRO DO NORTE
Letra – Geraldo Menezes Barbosa
Música – Maestro Antônio Gondim
1 – Ressurgida da fé e da bonança
Cidade varonil querida e forte!
Grande povo, tradição e esperança
Salve! Excelsa Juazeiro do Norte
Tempos idos dominava o "tabuleiro"
Onde um grande "Joaseiro" se ensombrava
Ao lado da Capelinha onde o Romeiro
De joelhos, bem contrito ali orava.
Salve! Hoje ó Cidade do Progresso
Aquela que mais cresce no Ceará
Juazeiro! Tu és parte do Universo
Teu sucesso na História ficará.
2 – Um apóstolo do bem e da verdade
Veio dar sua vida em oblação!
No Nordeste construiu uma cidade
O imortal Padre Cícero Romão!
Pela paz, pelo Cristo e pela fé,
Juazeiro cresceu e se fez forte
De bravura e independência pois de pé,
De trabalho e tradição encheu o Norte.