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Padre Cícero era uma pessoa culta?
- “Só na velhice, pelas sinceras provas de lealdade durante toda vida do homem, é que pode-se ter a convicção da verdadeira amizade.”

 - “As ambições e elementos corrosivos movem os que governam.”

 - “No terreno político, os homens de valor, por questões de patriotismo não têm direito de ser modestos.”

 - “Há generosidade que não se pode e nem se sabe pagar.”

 - “Sem a unidade da fé é impossível a vitalidade,  a grandeza e a inexpugnabilidade de um povo.”

                           Padre Cícero Romão Batista

* Antônio de Alencar Araripe, escritor: "Nas centenas de vezes em que estive em sua residência, onde inexistia biblioteca... aí permanecendo horas a fio, nunca o vi ler qualquer livro, fascículo ou jornal, nem se referir ao respectivo conteúdo, a não ser quando remontava ao seu tempo de estudante ou professor".

 

* Jáder de Carvalho, escritor: "Padre Cícero não era o homem culto que muita gente, ainda hoje apregoa... Jamais lhe descobri qualquer traço de intelectualidade".

 

* Edmar Morel, jornalista: "Desgraçadamente o Padre Cícero não tem amor pelo saber, nem culto à literatura. Sempre viveu alheio aos livros e sem a amizade de homens de valor cultural. Era um ignorante, sem cultura, mesmo no campo religioso".

 

* Luís Sucupira, escritor: "Padre Cícero era possuidor de elevada cultura para seu tempo, tendo adquirido um lastro bem sólido de conhecimentos intelectuais, como ótimo aluno que foi de História, Geografia e Teologia no Seminário de Fortaleza".

 

* Cândido Mariano da Silva Rondon, militar: "O Padre Cícero tem palestra interessante de letrado. Fala com fluência sobre História, Literatura e Política, discreteando sobre a vida nacional, cujas tricas conhece palmo a palmo".

 

* Phillip Von Luetzelberg, naturalista: "Padre Cícero é um homem que dispõe de instrução e saber invulgares. Aborda com igual facilidade a política e a história brasileira; tem conhecimentos profundos de história universal, ciências naturais, especialmente quanto à agricultura".

 

* Amália Xavier de Oliveira, educadora e escritora: "Os assuntos de suas palestras eram sempre edificantes; jamais uma conversa fútil e muito menos leviana".



Qual a contribuição de Padre Cícero para a  educação em Juazeiro?

“Deixo a maior parte dos meus bens para a benemérita e santa Congregação dos Salesianos, a fim de que ela funde aqui no Juazeiro os seus colégios de educação para crianças de ambos os sexos”.

                      Padre Cícero Romão Batista

* Lourenço Filho, educador e escritor: "Padre Cícero nunca se interessou pela instrução e até a tem embaraçado algumas vezes".

 

* Jáder de Carvalho, escritor: "Tive vários encontros com o Padre Cícero. Dele jamais consegui um prédio para a instalação de uma escola".

 

* Otacílio Anselmo, militar e escritor: "Para um povo carente de instrução, não fundou escolas. Aliás, sua aversão ao ensino foi comprovada em 1922, ocasião em que, como Prefeito Municipal, não permitiu a instalação de um grupo escolar em Juazeiro".

 

* Edmar Morel, jornalista: "Esperava-se, pelo seu contato com os grandes centros científicos, num País onde o Rei dirigia uma cruzada de alfabetização, que o Padre Cícero, ao chegar no Juazeiro, cuidasse de abrir escolas primárias e mandasse buscar na capital professores experimentados. O capelão não faz nada no terreno educacional. Populações inteiras vivem na ignorância. Só sabem desfiar o rosário nos dedos e cantar benditos... A ele interessa este lamentável estado de cousas. Tivesse um espírito culto, progressista e teria prestado um relevante serviço ao Brasil, abrindo escolas para a infância, orfanatos e colégios". Na verdade, abandona o problema educacional, para ser personagem principal de um ciclo lendário de crendices religiosas".

 

* Amália Xavier de Oliveira, educadora e escritora: "O que foi possível fazer o Padre Cícero fez: fundou algumas escolas particulares, gratificando, do próprio bolso, alguns professores quando as mensalidades recebidas não cobriam suas despesas com a manutenção. Em 1896, por iniciativa do Padre Cícero, foi instalada a escola feminina, sob a regência da Professora Isabel Montezuma da Luz. O Orfanato Jesus Maria José, iniciado nesta cidade em 1916, teve como fundador o Padre Cícero, coadjuvado por Joana Tertuliana de Jesus. O fim desta instituição que ainda hoje existe funcionando com as mesmas finalidades, foi amparar as crianças do sexo feminino, pobres e órfãos, dando-lhes uma educação adequada capaz de lhes garantir viver honestamente, quando pela idade ou outras circunstâncias tiverem que deixar a tutela da entidade de sua formação. A Associação dos Empregados do Comércio de Juazeiro, fundada no dia 3 de julho de 1926 sob os auspícios do Padre Cícero, desde a sua fundação teve como objetivo principal a instrução primária dos sócios e de seus dependentes".

 

* Azarias Sobreira, sacerdote e escritor: "Não é de hoje que se vem dizendo, ordinariamente com segundas intenções, ser o Patriarca de Juazeiro um obscurantista, figadal inimigo da alfabetização do seu povo. Se, entretanto, nos dermos ao paciente esforço de tirar a limpo essa tese sustentada com indisfarçável ênfase, esbarraremos em ilações diametralmente opostas. É que contra fatos a mancheias não podem prevalecer argumentos. Bem ao contrário do que se tem dito, às vezes de oitiva, o Padre Cícero viveu sempre idealizando a felicidade e, portanto, a alfabetização de sua gente, na maior escala possível. Apenas se fixou em Juazeiro, embora ali já funcionasse uma escola, andou dando aulas particulares a um ou outro rapazito que lhe pareceram com alguma aptidão e gosto para aprender".

 

* Fernandes Távora, médico, político e escritor: "O meu ilustre amigo Lourenço Filho afirma que não pôde conseguir a boa vontade do Padre Cícero no sentido de incrementar a instrução primária em Juazeiro. Eis outro paradoxo aparente, só compreensível e explicável pelos que conheceram intimamente os homens e as coisas daquela terra. Padre Cícero sempre amou a instrução e desejou vê-la difundida em sua cidade, como poderão dar testemunho diversos moços que, a expensas dele, se educaram desde a escola primária até os cursos superiores. Se não atendeu ao esforçado e digno Diretor da Instrução Pública do Ceará, terá sido por causa estranha à sua vontade".

 

* Neri Feitosa, sacerdote e escritor: "Padre Cícero fez as duas coisas: instruiu e educou seu povo. Quanto à instrução, o Padre Cícero fez de Juazeiro um modelo".

 

* Antônio Teixeira Junior, jornalista: "Padre Cícero preocupou-se com escolas a ponto de no seu testamento legar todos os seus bens aos Salesianos, com a condição de esses religiosos construírem um colégio".

 

Era o Padre Cícero um paranóico?

“Não sou doido! Não sou idiota! Não entendo de magia! O que vos digo, o que vistes, eu ouvi, me foi predito. Jesus Cristo derramou Seu sangue para nos salvar. Os que acreditarem, Ele o disse, se salvarão. Ele escolheu este lugar.”

Padre Cícero Romão Batista

* Nertan Macedo, jornalista e escritor: "As quatro pastorais do bispo dom Joaquim, sábias e incisivas, de condenação ao milagre da beata Maria de Araújo, feriram profundamente o Padre do Juazeiro: na sua paranóia, crença e amor-próprio."

 

* Helvídio Martins Maia, sacerdote e escritor: "Após examinarmos, cuidadosamente, o pronunciamento de teólogos e cientistas, consideramos o Padre Cícero um paranóico de fundo místico e não um louco".

 

* Fernandes Távora, médico, político e escritor: "Se analisarmos, com atenção, a vida do Padre Cícero, verificaremos que ela foi sempre deficiente, não só em relação à mentalidade, como a outras funções fisiológicas. Bastariam, para justificar esta asserção, os constantes êxtases em que caía, durante horas, e a sua absoluta castidade, ou melhor, frigidez, por todos propalada. E, realmente, nunca houve quem lobrigasse, na longa vida do velho sacerdote, a sombra de uma mulher... Foi nesse organismo mioprágico que o choque profundo do desentendimento com as autoridades eclesiásticas evidenciou a paranóia. Eu não encontro motivos para discrepar do que formulei, há tantos anos e agora reitero, com integral convicção". (Depoimento de 1943).

 

* Fernandes Távora: "Padre Cícero era um homem de ótimas qualidades morais, e estas nunca deixaram de manifestar-se no decurso de sua vida patológica: não esqueceu velhas amizades; dava esmolas; educava, por sua conta, grande número de moços pobres...". (Depoimento de 1961).

 

* José Leite Maranhão,  psiquiatra e professor: "O Padre Cícero teve uma personalidade normal, o seu psiquismo foi hígido e equilibrado com raro poder de autocrítica e inteligência. Sei que é temeroso avançar esta afirmação, numa espécie de perícia póstuma, para juízo dos homens cultos, à luz da ciência e da sociologia. É todavia, um dever de quem o conheceu de perto e acompanhou a sua projeção na história, restabelecer a verdade numa visão histórica serena e científica à luz da psicologia e percepção sociológica. Posso, pois, afirmar: o Padre Cícero não é paranóico. Como definir a personalidade do Patriarca? Dentro da classificação biopatológica de Kretschmer, aliás da escola alemã, o Padre Cícero é um ciclóide, biótipo admiravelmente caracterizado na sua organização psicossomática, e na confluência dos fenômenos sociais, políticos e religiosos que o envolveram. O Padre Cícero não é paranóico. Talvez não se deve dizer, nem mesmo para exaltar a obra que ele realizou e legou à posteridade de uma grande cidade, um grande povo...".

 

* Antônio Teles, médico e escritor: "Inimigo político, de longa data, do Patriarca, a quem, muitas vezes, atacou ferozmente pela imprensa, até injustamente, como ele próprio reconhece, e outrora partidário fanático do Coronel Franco Rabelo apeado do poder pelos bacamartes dos romeiros do Padre Cícero, o sr. Fernandes Távora jamais lhe perdoou a deposição do seu antigo chefe e atirou-lhe, por isso, a pecha de paranóico, como um ajuste de contas póstumo. O diagnóstico de paranóia não se coaduna com o comportamento do Padre Cícero, todo ele balizado pelos princípios evangélicos da humildade, da abnegação e do amor ao próximo".

 

* Abelardo F. Montenegro, advogado, professor e escritor: "Padre Cícero não era um paranóico, um megalomaníaco ou um paciente digno de um consultório psicanalítico. Mas, sim, um psicólogo que conhecia perfeitamente o meio e o homem do sertão".

Padre Cícero foi heresiarca?

 “É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação.”

                      Padre Cícero Romão Batista

 

* Euclides da Cunha, escritor: "Padre Cícero é um heresiarca sinistro".

 

* Otacílio Anselmo, militar e escritor: "Inegavelmente, o Padre Cícero começou bem... Só depois, numa progressão lenta, mas continuada, ele mudou de rumo, dando um sentido nebuloso ao seu sacerdócio, para finalmente transformá-lo em heresia, movido pelo impulso de pendores ancestrais (recorde-se que o pai era mitômano) e pela influência decisiva do primo e inseparável amigo José Marrocos".

 

* Manuel Diniz, advogado, educador e escritor: "Heresiarca por que, se Padre Cícero jamais deixou de obedecer até mesmo ao zelo inexplicável dos seus superiores?".

 

* José de Medeiros Delgado, arcebispo e escritor: "Padre Cícero teve mil oportunidades para ser um heresiarca e não o foi. Pôde erguer o estandarte do cisma e não o fez".

 

Padre Cícero foi líder?

 

“Sou responsável por este povo. Por ele sacrificarei até minha vida.”

      Padre Cícero Romão Batista

 

* Leandro Konder, escritor: "Padre Cícero era um líder de massas comprometido com o atraso das massas que liderava".

 

* Helvídio Martins Maia, sacerdote e escritor: "Padre Cícero era um líder de fanáticos".

 

* Ayres de Montalvo, escritor: "Padre Cícero foi o maior líder natural que já deu o nosso povo. Um líder verdadeiro a cuja influência bem pouca gente pôde ficar indiferente: ou o amava ou o odiava".

 

* Napoleão Tavares Neves, médico e escritor: "Padre Cícero foi, inquestionavelmente, um grande líder popular e religioso, líder realmente carismático, com uma extraordinária visão do futuro e uma ímpar capacidade de prever para tentar prover".

 

* Neri Feitosa, sacerdote e escritor: "No Brasil, não consta que alguém já tenha tido uma liderança maior e mais duradoura que a do Padre Cícero".